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sexta-feira, 16 de março de 2012

Mostrador *


Do relógio que você me deu soltou-se o cavalo.
que agora passeia a loucura das horas.

Salta ponteiro meio dia o dia inteiro.
Deu de saltar meus olhos mais cedo,
no desespero de perder a hora.

Numa dessas, penso que ele se queixe
e, saudoso de Nova Iorque,
sem tardar o tempo ele volte
pra ser um cavalo que se preste
ao tempo em que nele se mostra.

Márcio Ares, 2012


* poema que recebi do Márcio Ares por causa de um presente que trouxe para ele de uma viagem há algum tempo. Bom que ele gostou tanto do relógio. Também gostei muito do poema.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011


Vale a pena conferir a estreia do poeta mineiro Márcio Ares no blog Tertúlia Pão de Queijo.
http://tertuliapaodequeijo.blogspot.com/2011/11/felizmente.html

Marcio Ares vai publicar às 5as. feiras

sábado, 5 de novembro de 2011

puro astral




Nossa amizade foi ficando de outro modo
e sei que o destino é que nos enfeitiçou.
Se eu era um amigo nas cartas da sorte
é porque mais gosto que adivinho o amor


Márcio Ares, 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

blog do Márcio Ares



Márcio Ares - mineiro, fotógrafo, filósofo, licenciado em Letras, poeta e compositor, vencedor de muitos concursos literários - conseguiu, enfim, a sua "casa própria".
O blog http://www.blogdomarcioares.blogspot.com/ abriga idéias, poemas e crônicas do autor, escritos entre 2005 e 2011.

Tive a oportunidade de publicar versos de Márcio aqui no blog algumas vezes, com ótima repercussão. Vale a pena visitar o espaço.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eu piquinininho

( por Márcio Ares da Silva)




Desmancha o castelo dos meus cabelos, oh, mar, penteado de sal
e descansa na orla do meu sol o teu reino.
Constrói o tempo de areia, oh, criança mais grande,
e devolve o barco dos meus sonhos.
Colore a vida de azul
e faze pra mim o teu ir e vir de brinquedo.
Mas vem brincar comigo, de manhã,
que, à tarde, às vezes eu me entristeço
e a noite é um desenredo só
porque eu nunca sei, quando cantas,
se o teu canto é de apreço
ou se ruges de medo, de dor ou de dó

Márcio Ares da Silva  maio/2011
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

estar de lua

( por Márcio Ares da Silva )



Vai que a noite não foi boa
E o dia tarde a caminho
Nós somos um quarto à toa
Que ainda resta, meio à míngua
Querendo um quarto crescente
Querendo cheio de novo
O clarão que fora lindo
O meu olho no seu olho
Minha língua em sua língua

Somos um quarto de hora
Somos um quarto de rua
Somos um quato da história
Escrito com a noite nua
Somos o dito e o não dito
O que eu penso e o que tu pensas
Somos um quarto suspenso
De lua, amor infinito

Márcio Ares, maio/2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O que se é


( por Márcio Ares da Silva *)



Tanto tempo de vida vivi por viver.
Nada criei, em nada cri, nada inventei que valesse a pena.
E, diferente de antes, muito antes, pouco fui feliz.
Tudo era inútil e pequeno. Urgente era partir.


Eu sou o homem que parte, para a pior parte,
e o menino que fica, face a face, com o melhor que fica.
As metades que me atravessam
são essa metade que resta e essa metade que insiste,
o menino que parte, o homem que fica.


Márcio Ares maio/2011


Márcio Ares é mineiro, filósofo, licenciado em letras, compositor, poeta, e policial militar.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

triversado

( por Márcio Ares da Silva)



PACIÊNCIA FELINA

sete vidas eu daria a ti
para que as tristezas fossem cumpridas
e a alegria fosse infinita
sete vidas eu existiria assim
querendo te ver sorrir

          *

TEMPO ANTIGO EM PROCISSÃO

escrevo maio e minhã mãe maria
oferta à primavera
o pastor que eu era
na coroação da virgem

            *

ALVIM MARIA

de novo escrevo para maio
para uma outra maria
essa, colega de farda,
amiga um tanto tardia
feliz que reza à feliz primavera
mais feliz se faria

           *
                                  Márcio Ares da Silva maio/2011
http://www.marcioares.blogspot.com/

domingo, 8 de maio de 2011

Para acontecer poeta

( por Márcio Ares da Silva)



"O poeta é um mundo encerrado num homem" Victor Hugo


Se esse verso fácil é poesia, eu sou - reconheço e confesso - uma fraude.
E nenhuma graça me justifica.
Quero a palavra que engasga e faz doer a alma, nublar a minha paz por
dias infinitos.
Quero a incerta ordem da página,
o risco indormido, além da madrugada,
o inquieto imaginário de fantasmas.
e, por último, justo e exato, quero que o verso não seja fácil
porque de escuro se veste a claridade
dizendo rosa o espinho disfarce.

À força da mão meu coração que se dobre
e sangre arco-íris no verso encantado.
E enquanto calado eu fique, seja este o tempo que me baste.
Tudo o mais é vontade por dizer, é mar sem barco ou estrelas, a vida
sem crer, ânsia de se libertar.

Seja meu o instante sem saber. Doa a mim a palavra por inventar.
Não quero fácil existir, simplesmente,
e dizer que existo, igual a tudo, para toda gente,
sem essa coisa inominável a que se chama, através dos tempos,
talvez poesia, talvez amor, talvez demência.

Que eu, filho do mais doído mistério,
traga à luz as palavras primeiras, únicas, estranhas ou belas
a inaugurar esse parto dos homens, grávido que estou de longes, ondes e quandos
que ainda não se fizeram.

Eu vou parir Deus com o meu verso.
E vou parir o demônio.
E vou engravidar os nomes que se puserem no caminho desse ofício, ou
dessa coragem,
para que a melodia dos nomes desperte o grito alado das palavras.
Para que eu nunca, jamais, em tempo algum me contente
com o instante fácil do verso
e não me confesse uma fraude.

Márcio Ares da Silva maio/2011
http://www.marcioares.blogspot.com/

terça-feira, 26 de abril de 2011

Caso a caso

" O acaso vai me proteger
enquanto eu andar distraído"
Epitáfio, Sérgio Britto







imemoriável
O acaso inventa poesia desde que a vida é vida.
Por acaso desconfio
que essa mania seja muito, muito mais antiga.
Desde que o nada é nada
Desde o acaso infinito


Márcio Ares, abril/2011
 
   
até o ocaso
do infinito não sei os azos
só sei que o acaso
casa Vida e Poesia,
causa desordem,
concede e cassa 
sem descanso nem descaso
  cada coisa a seu prazo
 
Maria Paula Alvim, abril/2011

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Desde quando

( por Márcio Ares da Silva)




Desde que eu sofro o mal do coração partido
apago luzes que não ficaram
esqueço a senha bancária
atropelo os degraus da escada
quebro a cabeça no portal de entrada
ligo o rádio que já está ligado
e finjo dor quando sou alegria


Desde que eu amo o sal da paixão esquecida
acho sem graça o riso mais bonito
não me comove a história com final feliz
não sei a estrada por onde segue a vida
faço piada com a falta de graça
peco em silêncio pra rezar no escuro
bebo cachaça se não tem bagulho
escolho atalhos pra ser infeliz


Desde que eu sofro o amor é mais triste.
 
                                                                      Márcio Ares da Silva abril/2011
                                                                      http://www.marcioares.blogspot.com/

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

vai-e-vem-vai-e-vem


( por Márcio Ares Silva)



Penso um poema e ele vai embora.
Algum mar distante naufraga meu invento, embarcação de muitas rotas.
O que tenho à mão é essa coisa de dentro
que tanto dói cá fora
a idade das almas, a dor da minha gente,
saber efêmero o entendimento dos olhos

Traduzindo o que se é visto, eu escrevo as horas.
Tomo o leme do meu barco e o conduzo para além do que me devora.
Um monstro de versos tristes, e dissonante fome, força a retina da proa, displicente,
e minha mão se dobra a querer um giz, um mapa, um caminho qualquer
para tornar ao lugar em que os olhos viram a insuspeita margem, ilha, farol,
gente capaz de um sorriso onde se prove
que viver ainda seja qualquer coisa boa, uma linha além do continente
um poema que não tenha pressa, mas que não tarde sempre
porque os versos que navegam nossos olhos,
que atravessam-nos feitos as terras novas,
sãos os mesmos olhos que se vão com o tempo

                                                                            Márcio Ares Silva  abril/2011
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Márcio Ares, poeta de talento e companheiro de viagem solidário ( desses que finge não reparar as lágrimas teimosas que escorregam do olho da gente com a poesia do Mia Couto) fez-me um elogio ao que   respondi "são seus olhos, querido". Menos de 10 minutos depois ele me enviava por e-mail o poema acima, seguido da nota abaixo:


para Paula, um pouco de enjôo, alegria, viagem, lamento

Paula,
Assim que você respondeu ao meu insulto, ao elogio se quer, talvez, em melhor modo, falando que “são meus olhos, querido”, pensei, entre o cansaço e a falta de sono, eis aí o barco para um poema. Coisa natural a quem retorna do país das caravelas e grandes descobrimentos. Mas o poema vinha e não vinha. Então escrevi isto.

Serão sempre os seus olhos, meu Capitão.
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domingo, 3 de abril de 2011

Quase vítima


Há um tempão que eu não escuto
num esbarrão, quase num susto,
alguém me olhando nos olhos
dizer que boca gostosa
que sorriso mais bonito
e eu, comigo noutros olhos,
olhando o que eu sou de fora
sorrindo o meu próprio riso

Há um tempão que eu não insisto
em negar, ou quase isso,
um olhar dizendo é hora
se aos meus olhos, noite afora
fui meu auto sacrifício
e eu contigo, nessas horas,
sorrindo o que eu sou agora
trombo em versos mais bonitos

Márcio Ares, abril/2011
http://www.marcioares.blogspot.com/

Márcio Ares é mineiro, filósofo, compositor, poeta, fotógrafo, e policial militar. Insiste em não atualizar o seu blog pessoal - o jeito é sequestrar os versos bonitos que ele me mostra e publicar aqui. 
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