quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Trama

orvalho em teia de aranha ( autoria da foto desconhecida)


"amor, então,
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima"
Paulo Leminski



amor sem rega
enruga
roto, arruina:
primeiro dá raiva,
amarga,
gente sai da rota,
rema contra amar é

aí um dia gente
toma prumo
e proclama 
que drama
virou insumo
de novo rumo
pra lida

arremato:
na poesia da vida
toda lágrima
é rima
sem brida

.

4 comentários:

Assis Freitas disse...

diálogo com Leminski,
trama do orbe,
independencia ou sorte


abraço

Zélia Guardiano disse...

Soberbo, Ana Paula!
Demais!
Se Leminski falou e você endossou...
"Não discuto
Com o destino
O que pintar
Eu assino"
Paulo Leminski

Carla Farinazzi disse...

Maria Paula Leminski

Seus textos são perfeitos.

Adoro vir por aqui. Há sempre ternura, ensinamentos e palavras que se entrelaçam à perfeição.

Beijo

Carla

Júlia Zuza disse...

Ahhhh Genial! Mineirinha boa demais da conta, sô! Versos afiados e desafiantes!