sábado, 18 de setembro de 2010

Entre tapas e beijos


Rir faz bem. Pensar também. Quando dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, é melhor ainda. Para isso, a gente lança mão das histórias. Algumas, as fábulas da vida real , são criadas a partir de uma observação cotidiana. Em outras, carrega-se um pouco nas tintas do exagero para narrar um fato real. Raras histórias já chegam prontas. Quem me contou a de hoje foi o sargento Moraes, policial militar aposentado, anjo sobre rodas que costuma trazer minhas filhas para casa depois da balada.


Tão logo a viatura parou, os dois saíram correndo na direção dos militares:


- Foi ele quem começou.

- Não começa, Maria Alice. Foi ela, sargento.

- Grosso! King Kong!

- Grossa! Chita!

- Acalmem-se os dois, pra gente entender o que está acontecendo.

- Olha meu braço. Ele me agrediu, o covarde.

- Ela me bateu primeiro, a dissimulada.

- Ele atirou duas panelas em mim, sargento.

- Pena que eu errei a primeira...

Os dois militares tiveram que pedir calma, agora com menos calma.

- Um de cada vez. Temos que ouvir as duas versões.

- Que duas versões? Só tem a minha versão, a da vítima.

- A vítima sou eu, ora... Se acreditar nele, eu vou achar que vocês são farinha do mesmo saco. Homem sempre defende homem, que eu sei.

- Temos que ouvir os dois. Tá no Código de Conduta. Primeiro fala quem fez a denúncia no 190.

- .....

- ....

- Qual dos dois é Ivanir? A Central informou que Ivanir fez a denúncia.

- Ivanir é a vizinha do outro lado da rua ...

- Mas que falta do que fazer da Dona Ivanir, hein?! Metendo o bedelho na vida dos outros... Devia era olhar aqueles meninos dela, cada olhão vidrado...

- Em vez de ficar intrometendo na vida da gente, vocês deviam autuar ela... Imagina incomodar a polícia por bobagem...

- A gente vai registrar queixa contra ela, isso sim!

- E a polícia, boba, cai na conversa de quem não tem o que fazer... Não sei quem é pior...

- Já que estão insatisfeitos, é melhor continuar essa história na delegacia.

- Opa, isso não! Ninguém vai levar minha mulher pra delegacia. Só por cima do meu cadáver.

- Que lindo, amor! Também só deixo levarem você no dia de São Nuncas.

- Em vez de ficar empatando a nossa vida, vocês deviam estar na rua prendendo bandido, isso sim.

- Vamos entrar, meu amor, deixa eles pra lá. Ta começando a chover, você pode ficar gripado. Vou te fazer um chá de limão quente, vem.



Pergunta se o casal convidou os policiais para o chá. Pergunta se Ivanir deu as caras para oferecer, pelo menos, um cafezinho. Claro que não: ela sabe, sargento Moraes, que em briga de marido e mulher não se mete a colher...

A gente demora, mas um dia aprende.

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5 comentários:

Lua Nova disse...

rsrsrsrsr... nunca vi um ditado tão certo... pelo menos nesse caso, né?
Muito boa história.
Beijokas.

Solange disse...

a-d-o-r-e-i !!!

é isso aí...

adorei seu blog, seus textos, o astral...

beijo

ju rigoni disse...

Pois é, Maria Paula, o ditado é antigo e corretíssimo.

Diverti-me com o texto.

Quato à sua pergunta, é claro que sim. Inclusive, meu "santinho" rsrs já está aí entre os seus seguidores há um bom tempo; tenho acompanhado suas atualizações lá no reader.

Fiquei feliz com sua visita e comentário. Bjs, bom fim de semana. E inté!

sidnei olivio disse...

Realmente, ótima história. Beijos.

Mara faturi disse...

Ehehehe,aprende!! e é melhor aprender mesmo, não??!! pode sobrar colher, ou outro instrumento menos "redondinho";)
Que delícia te ler;ADORO!!!!!
Grande bjo!